Modelos de cuidado baseados em valor
- Inova na Real

- há 4 dias
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O protótipo traz a melhor experiência em baixo custo partir de um tratamento humano e personalizado

Globalmente, o setor de saúde batalha com o aumento dos custos, tentando simultaneamente melhorar qualidade e acesso. No sistema antigo, o pagamento por serviço (Fee-For-Service ou FFS), onde pagam conforme a quantidade de atendimentos, estimula muito o volume e pouco o resultado. Contrastando, os Modelos de Cuidado Baseados em Valor (Value-Based Care ou VBC) aparecem como uma forma de mudar tudo, voltados para entregar valor ao paciente, ou seja, resultados de saúde melhores com um custo justo.
O conceito de VBHC faz parte da essência de qualquer profissional ou sistema de saúde que se propõe a cuidar de pessoas. O modelo traz a melhor experiência possível a partir de um tratamento humano e personalizado, respeitando os desejos e o jeito do paciente encarar os seus desafios.
O que são modelos de cuidado baseados em valor?
São modelos em que hospitais, clínicas, médicos e equipes de saúde recebem incentivos para:
Melhorar desfechos clínicos
Reduzir complicações, internações evitáveis e desperdícios
Promover prevenção e acompanhamento contínuo
Aumentar a satisfação do paciente
Os sistemas de saúde em muitos países estão em dificuldades financeiras, independentemente do seu modelo de organização. Seja o modelo brasileiro, inglês, português ou alemão. Em todos os cenários, os custos não param de crescer a uma taxa de crescimento superior às economias dos respetivos países. Com maior ou menor rapidez, é uma questão de tempo até deixarem de cumprir a sua função de promover a saúde e tratar as doenças da população.
Enquanto o sistema convencional recompensa volume, os modelos baseados em valor valorizam resultados. A lógica é simples: provedores passam a ser incentivados a entregar melhores desfechos clínicos, experiência do paciente e uso eficiente dos recursos. Em vez de priorizar o número de consultas, exames ou procedimentos, o foco passa a ser a trajetória completa de saúde da pessoa.
Com a tecnologia aliada ao cuidado, é possível fomentar a promoção de saúde com base em análise de dados e indicadores e em conformidade com fatos, incentivando a adesão das boas práticas do sistema. Nesse sentido, o setor de saúde se beneficia com a agilidade trazida pela conexão entre tecnologia, profissionais da saúde e pacientes.
Desafios para a Implementação no Brasil
Apesar do potencial, a adoção em larga escala no Brasil enfrenta barreiras:
Fragmentação de Dados: A falta de interoperabilidade entre sistemas de saúde dificulta a coleta de dados de toda a jornada do paciente para medir o valor real.
Cultura de Mercado: A forte dependência do modelo FFS exige uma mudança cultural e o convencimento de prestadores sobre os benefícios a longo prazo do VBC.
Complexidade Contratual: A criação de contratos de remuneração baseados em métricas de qualidade e risco requer sofisticação jurídica e atuarial.
A transição para o Cuidado Baseado em Valor, habilitada pela tecnologia e ancorada em novos modelos de remuneração, é o caminho para um sistema de saúde mais sustentável, justo e centrado no paciente.
Esses modelos assumem diferentes formatos, como pacotes de pagamento por ciclo de cuidado, capitação associada a metas de qualidade, programas de pagamento por performance e organizações responsáveis pelo manejo integrado de populações (ACOs). Em todos os casos, a premissa é a mesma: alinhar incentivos para que equipes trabalhem de forma coordenada, preventiva e centrada no paciente.
As evidências mostram que essa abordagem reduz internações evitáveis, melhora o controle de condições crônicas e aumenta a satisfação dos pacientes, ao mesmo tempo em que diminui desperdícios. Para que funcione, porém, é essencial contar com sistemas de informação integrados, métricas claras e cultura organizacional orientada a resultados.
Adotar modelos de cuidado baseados em valor é uma necessidade estratégica. Ao colocar o paciente no centro e alinhar incentivos ao que realmente importa, esses modelos apontam para um futuro em que qualidade e sustentabilidade caminham juntas.
Ferramenta Tecnológica:
Ferramenta Tecnológica | Função no VBC | Alinhamento Remuneração/Resultado |
Prontuário Eletrônico (PEPs) | Padroniza a coleta de dados clínicos e financeiros. | Permite a medição objetiva de desfechos e a auditoria de custos. |
Big Data e IA | Analisa grandes volumes de dados para prever riscos e identificar lacunas de cuidado. | Permite o capitacionamento ajustado ao risco (risk-adjusted capitation), remunerando mais por pacientes mais complexos. |
Telemedicina/Monitoramento Remoto | Permite o acompanhamento contínuo e a intervenção precoce em pacientes crônicos. | Reduz o custo de internações e emergências, maximizando o Shared Savings. |
Plataformas de Coordenação | Conecta diferentes pontos de cuidado (médicos, laboratórios, terapeutas). | Facilita a gestão de pacotes (bundle) e o cuidado integral exigido no VBC. |
A análise de dados é o motor do Value-Based Care. Ela transforma dados brutos em insights acionáveis para que os gestores saibam exatamente quais intervenções geram os melhores desfechos e quais prestadores estão entregando o maior valor
REFERÊNCIAS: Anahp, Agência Nacional de Saúde Suplementar, Continental Hospitais, IBRAVS.












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