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Modelos de cuidado baseados em valor

O protótipo traz a melhor experiência em baixo custo partir de um tratamento humano e personalizado



Globalmente, o setor de saúde batalha com o aumento dos custos, tentando simultaneamente melhorar qualidade e acesso. No sistema antigo, o pagamento por serviço (Fee-For-Service ou FFS), onde pagam conforme a quantidade de atendimentos, estimula muito o volume e pouco o resultado. Contrastando, os Modelos de Cuidado Baseados em Valor (Value-Based Care ou VBC) aparecem como uma forma de mudar tudo, voltados para entregar valor ao paciente, ou seja, resultados de saúde melhores com um custo justo.


O conceito de VBHC faz parte da essência de qualquer profissional ou sistema de saúde que se propõe a cuidar de pessoas. O modelo traz a melhor experiência possível a partir de um tratamento humano e personalizado, respeitando os desejos e o jeito do paciente encarar os seus desafios.


O que são modelos de cuidado baseados em valor?


São modelos em que hospitais, clínicas, médicos e equipes de saúde recebem incentivos para:


  • Melhorar desfechos clínicos

  • Reduzir complicações, internações evitáveis e desperdícios

  • Promover prevenção e acompanhamento contínuo

  • Aumentar a satisfação do paciente


Os sistemas de saúde em muitos países estão em dificuldades financeiras, independentemente do seu modelo de organização. Seja o modelo brasileiro, inglês, português ou alemão. Em todos os cenários, os custos não param de crescer a uma taxa de crescimento superior às economias dos respetivos países. Com maior ou menor rapidez, é uma questão de tempo até deixarem de cumprir a sua função de promover a saúde e tratar as doenças da população.


Enquanto o sistema convencional recompensa volume, os modelos baseados em valor valorizam resultados. A lógica é simples: provedores passam a ser incentivados a entregar melhores desfechos clínicos, experiência do paciente e uso eficiente dos recursos. Em vez de priorizar o número de consultas, exames ou procedimentos, o foco passa a ser a trajetória completa de saúde da pessoa.


Com a tecnologia aliada ao cuidado, é possível fomentar a promoção de saúde com base em análise de dados e indicadores e em conformidade com fatos, incentivando a adesão das boas práticas do sistema. Nesse sentido, o setor de saúde se beneficia com a agilidade trazida pela conexão entre tecnologia, profissionais da saúde e pacientes.


Desafios para a Implementação no Brasil


Apesar do potencial, a adoção em larga escala no Brasil enfrenta barreiras:


Fragmentação de Dados: A falta de interoperabilidade entre sistemas de saúde dificulta a coleta de dados de toda a jornada do paciente para medir o valor real.

Cultura de Mercado: A forte dependência do modelo FFS exige uma mudança cultural e o convencimento de prestadores sobre os benefícios a longo prazo do VBC.

Complexidade Contratual: A criação de contratos de remuneração baseados em métricas de qualidade e risco requer sofisticação jurídica e atuarial.


A transição para o Cuidado Baseado em Valor, habilitada pela tecnologia e ancorada em novos modelos de remuneração, é o caminho para um sistema de saúde mais sustentável, justo e centrado no paciente.


Esses modelos assumem diferentes formatos, como pacotes de pagamento por ciclo de cuidado, capitação associada a metas de qualidade, programas de pagamento por performance e organizações responsáveis pelo manejo integrado de populações (ACOs). Em todos os casos, a premissa é a mesma: alinhar incentivos para que equipes trabalhem de forma coordenada, preventiva e centrada no paciente.


As evidências mostram que essa abordagem reduz internações evitáveis, melhora o controle de condições crônicas e aumenta a satisfação dos pacientes, ao mesmo tempo em que diminui desperdícios. Para que funcione, porém, é essencial contar com sistemas de informação integrados, métricas claras e cultura organizacional orientada a resultados.


Adotar modelos de cuidado baseados em valor é uma necessidade estratégica. Ao colocar o paciente no centro e alinhar incentivos ao que realmente importa, esses modelos apontam para um futuro em que qualidade e sustentabilidade caminham juntas.


Ferramenta Tecnológica:

Ferramenta Tecnológica

Função no VBC

Alinhamento Remuneração/Resultado

Prontuário Eletrônico (PEPs)

Padroniza a coleta de dados clínicos e financeiros.

Permite a medição objetiva de desfechos e a auditoria de custos.

Big Data e IA

Analisa grandes volumes de dados para prever riscos e identificar lacunas de cuidado.

Permite o capitacionamento ajustado ao risco (risk-adjusted capitation), remunerando mais por pacientes mais complexos.

Telemedicina/Monitoramento Remoto

Permite o acompanhamento contínuo e a intervenção precoce em pacientes crônicos.

Reduz o custo de internações e emergências, maximizando o Shared Savings.

Plataformas de Coordenação

Conecta diferentes pontos de cuidado (médicos, laboratórios, terapeutas).

Facilita a gestão de pacotes (bundle) e o cuidado integral exigido no VBC.


A análise de dados é o motor do Value-Based Care. Ela transforma dados brutos em insights acionáveis para que os gestores saibam exatamente quais intervenções geram os melhores desfechos e quais prestadores estão entregando o maior valor




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