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Nexus/CNI – Saúde Digital 2025: da fotografia à execução


O relatório Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 trouxe um retrato que vai além da estatística. Ele descreve um país que quer participar da transformação digital da saúde, mas que ainda não sabe como se conectar a ela. O estudo é valioso não apenas pelo que revela, mas pelo que permite construir. Agora que o Brasil tem um espelho, é hora de usá-lo como instrumento de ação.


O que o levantamento mostra é inequívoco. O interesse da população é alto, a experiência de quem já utilizou serviços digitais é amplamente positiva e as principais barreiras estão ligadas à confiança, à acessibilidade e à familiaridade. Esses dados confirmam o que muitos de nós percebemos intuitivamente, mas agora temos evidência. E evidência, quando usada, muda política. O desafio é justamente esse: transformar o dado em movimento.


Se a saúde digital ainda anda devagar, não é por falta de tecnologia. É por falta de coordenação. A fragmentação entre esferas de governo, operadoras, hospitais e fornecedores cria sobreposição de esforços e ausência de padrão. O relatório Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 oferece um ponto de partida para reorganizar prioridades. Não se trata de criar mais plataformas, mas de fazer as existentes funcionarem em rede, com interoperabilidade técnica e confiança institucional.


Confiança, aliás, é a palavra que atravessa o estudo. Ela aparece como barreira, mas também como oportunidade. O brasileiro quer usar a saúde digital, mas precisa sentir que o sistema é confiável. Isso não se conquista com promessas ou slogans de inovação, e sim com transparência e constância. O cidadão precisa entender o que acontece com seus dados, quem tem acesso a eles e quais benefícios reais isso traz para o seu cuidado. O relatório indica que ainda há distância entre discurso e prática. A tarefa agora é transformar confiança em política pública, com comunicação clara, métricas abertas e responsabilidade compartilhada.


Outro ponto que emerge é a urgência de inclusão digital como componente essencial da política de saúde. A pesquisa mostra que os mais velhos são os que menos participam da saúde digital, e isso não é detalhe. É sinal de que o sistema ainda não está preparado para o envelhecimento digital do país. Políticas de inclusão não podem ser periféricas. Ensinar, simplificar, adaptar linguagens e interfaces é investimento assistencial, não educacional. Cada cidadão que consegue acessar o sistema digital é um atendimento presencial ao menos, uma fila mais curta e uma jornada mais eficiente.


A leitura institucional do relatório é igualmente importante. O Brasil costuma transformar diagnósticos em acervo, não em estratégia. A Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 deveria entrar no ciclo de gestão pública como referência viva. Pode orientar políticas de dados, regulação de inovação, programas de interoperabilidade e até critérios de acreditação. O que hoje é estatística pode virar indicador de política pública: adesão digital, satisfação do usuário, confiança no sistema. São métricas que capturam maturidade real, não apenas infraestrutura instalada.


No setor privado, o relatório tem potencial para guiar decisões de investimento. Operadoras e hospitais que entenderem a curva de adesão mostrada no estudo vão conseguir calibrar seus modelos de atendimento. As empresas que resolverem problemas concretos de acesso, usabilidade e continuidade terão vantagem competitiva. A oportunidade está menos em lançar novas soluções e mais em integrar o que já existe de forma simples, segura e previsível. É o básico bem feito que constrói confiança.


A regulação também ganha novos parâmetros. O estudo revela uma sociedade que quer usar o digital, mas que não encontra clareza sobre a responsabilidade. Isso exige que reguladores avancem para métricas de desempenho baseadas em uso real, não apenas em compliance técnico. O dado público pode ajudar a calibrar essa régua, ligando percepção social à segurança regulatória. O cidadão precisa ver o benefício do controle; o regulador precisa ver o resultado do uso.


O ponto mais profundo do relatório talvez seja o que ele sugere sobre continuidade. A saúde digital brasileira sofre de descontinuidade crônica. Cada gestão lança uma plataforma, muda a marca e começa de novo. O que a Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 mostra é que a população está pronta para algo mais estável. Se 78% querem usar e 81% aprovam quando conseguem, o sistema deve responder com coerência: menos projetos-piloto e mais serviços duradouros. É assim que a confiança se consolida.


No fim, a maior lição do relatório é sobre maturidade. Um país que mede a si mesmo com seriedade começa a entender onde precisa insistir. A saúde digital brasileira não está começando, está se reconhecendo. E reconhecer-se é o primeiro passo para coordenar esforços e manter direção. O desafio agora é não deixar que o dado se transforme em memória. Relatórios como o Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 não servem para mostrar o que falta, mas para orientar o que vem a seguir. Se o país souber usar esse mapa, a saúde digital pode finalmente sair da retórica e entrar na rotina.


REFERÊNCIAS:


  1. Nexus/CNI – Saúde Digital 2025 (relatório completo, setembro de 2025).

  2. OCDE. Health in the Digital Age (2024).

  3. OMS. Global Strategy on Digital Health 2024–2030.

  4. Anvisa. Requisitos para softwares como dispositivos médicos (RDC 751/2022).

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