Inteligência de dados transforma a fiscalização médica no Brasil
- Inova na Real

- há 3 dias
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Adoção de plataformas inteligentes amplia a capacidade de identificar irregularidades, fortalece a proteção da sociedade e preserva a integridade do exercício da Medicina
A expansão dos serviços de saúde no ambiente digital trouxe novos desafios para a fiscalização do exercício profissional. A proliferação de anúncios em redes sociais, plataformas de atendimento, páginas na internet e canais de divulgação ampliou as possibilidades de acesso da população à assistência médica, mas também criou espaço para que surgissem clínicas irregulares, publicidade em desacordo com as normas éticas e pessoas que se apresentam indevidamente como médicos.
Hoje em dia a população tem mais acesso a informações, avaliações de profissionais e serviços médicos, mas também ficou mais exposta a conteúdos enganosos. Isso virou alvo inclusive de estudos internacionais, que apontam que a facilidade de publicação e o uso de estratégias de manipulação da reputação digital tornaram mais difícil a tarefa de distinguir o que é de fato confiável em meio a uma enorme quantidade de conteúdos produzidos para induzir pacientes ao erro.
Enquanto isso, os modelos tradicionais de fiscalização passaram a enfrentar limitações. A velocidade com que informações são publicadas e compartilhadas tornou inviável depender só de processos manuais para identificar irregularidades espalhadas por milhares de ambientes digitais.
Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou uma Plataforma Nacional de Fiscalização, que incorpora módulos inteligentes para ampliar a capacidade de monitoramento realizada pelos Conselhos Regionais em todo o país. A plataforma certamente cria um novo modelo de fiscalização, que é baseado na análise de dados, na identificação de padrões e no uso da tecnologia para apoiar a atuação dos fiscais.
A plataforma integra informações de diferentes bases de dados e reúne registros institucionais, históricos de vistorias, cadastros profissionais, dados públicos sobre estabelecimentos de saúde e conteúdos disponíveis na internet. A proposta é que, a partir desse cruzamento, os algoritmos consigam identificar situações que apresentam indícios de irregularidade e direcionar a atenção das equipes de fiscalização para casos que pedem mais investigação.
As principais buscas se concentram no monitoramento automatizado de ambientes digitais em busca de sinais relacionados ao exercício ilegal da Medicina, à atuação de falsos médicos e à divulgação de publicidade em desacordo com as normas éticas da profissão. Em vez de substituir a ação humana, a tecnologia se propõe a funcionar como um mecanismo para ampliar as ações de fiscalização.
Segundo o CFM, a expectativa é de que a utilização da inteligência artificial aumente em até 30% a produtividade das atividades de fiscalização, tornando as inspeções mais rápidas, precisas e orientadas por evidências.
Algo precisa ser destacado, contudo: as informações produzidas pelo sistema não geram medidas automáticas, já que os alertas identificados pela plataforma passam por avaliação técnica dos departamentos de fiscalização dos Conselhos Regionais de Medicina. São eles quem vão analisar cada situação e decidir sobre a tomada de medidas administrativas. O objetivo é preservar o julgamento técnico e a responsabilidade institucional dos fiscais.
A criação dessa plataforma é mais uma evidência da transformação digital da assistência em saúde. A inteligência de dados já está sendo incorporada como ferramenta de fiscalização em diferentes países. O futuro caminha justamente nessa direção, de oferecer precisão na detecção de comportamentos irregulares para oferecer mais proteção à sociedade e a credibilidade das profissões ligadas à Saúde.
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